Uma lógica diferente empregava um empresário produtor de flores, que conseguia cada vez melhores resultados no setor pela beleza das flores que cultivava. O êxito se devia a dois atributos de valor. O primeiro: seleção rigorosa de sementes. Segundo: facilitar parte das sementes mais seletas aos produtores vizinhos de sua fazenda. Qual era a lógica? A distribuição destas sementes de qualidade garantia que o pólen trazido pelo vento para suas flores fosse igualmente de boa qualidade e, ainda mais: que melhorasse sua qualidade.
Três jovens de Cremona, na Itália, tinham grande paixão pela música. O primeiro sobressaia-se pela voz, outro era exímio violinista e o terceiro, ainda que fosse tão apaixonado pela música quanto os outros, não conseguia cantar nem tocava qualquer instrumento. Chamava-se Antônio e tinha, não obstante, uma grande habilidade manual para o entalhe em madeira, fazia os mais diversos tipos de enfeites e flautas.
Numa das apresentações do trio, na praça da cidade, Antônio encarregou-se de passar o chapéu. Um senhor depositou uma moeda de ouro e Antônio ficou sabendo que era um empresário de sucesso da cidade vizinha, o senhor Amati que fabricava violinos de alta qualidade.
Antônio foi procurar o empresário munido dos seus objetos artísticos como mostra do seu “currículo”. Depois de muitas tentativas conseguiu encontrar-se com o empresário, mostrou-lhe suas peças e falou-lhe do desejo de trabalhar na fábrica de violinos. Amati quis saber: por quê? Antônio disse-lhe que amava a música, e que, embora não conseguisse nem cantar, nem tocar como seus amigos, talvez pudesse empregar a sua habilidade manual para confeccionar os violinos.
Amati empregou Antônio por ver sua determinação e paixão pela música. O jovem aprendeu a fazer as setenta partes diferentes do instrumento, que não conhecia. Passado algum tempo, quando completou 22 anos de idade, mestre Amati permitiu-lhe que pusesse seu nome em um violino que havia fabricado. Sabe-se hoje que Antônio fabricou mais de mil e cem deles, sempre procurando fazer uma obra de arte de cada um deles. O rapaz iniciante era ninguém menos que Antônio Stradivarius.
Fazem falta empresários como o produtor de flores e um Amati, que soube desenvolver um Stradivarius.
Paulo Sertek
Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).
Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.
Diretor da SERTEK-Consulting&Mentoring
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Autor do Livro Empreendedorismo Editora Intersaberes
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