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Na perspectiva da psicologia do desenvolvimento a crise se refere a uma situação de mudança que pode afetar a vida biológica, as disposições mais profundas da pessoa e ser a causa de transformações sociais notáveis. Nestas situações de stress adicional há uma enorme exigência para uma resposta de defesa. A adaptabilidade é decisiva como requer o caso da pandemia covid19.

A sociedade que está apoiada em uma cultura de valores compartilhados, como são os princípios éticos da solidariedade, da justiça, da reciprocidade, enfim do respeito ao outro e da responsabilidade, aumenta a sua capacidade de resposta coletiva.
Viktor Frankl observou no campo de concentração de Auschwitz, na segunda guerra mundial, que os sobreviventes foram os que tinham algo importante a contribuir para com os outros: à sua família, à ciência e aos companheiros de sofrimento. Da mesma forma o decisivo é possuir um sentido para a existência.

Nestes momentos de tensão da pandemia, desde as situações domésticas até as questões empresariais e políticas, aparecem heróis anônimos, que: se entregam ao salvamento de doentes, reúnem amigos para ajudar comunidades carentes e grupos de risco etc.
A reação instintiva é de desalento diante da perda da estabilidade, das condições materiais, além do risco à própria vida e dos familiares. A categoria moral das pessoas, e de um povo, se revela pelos seus valores éticos e pelas virtudes cívicas: em resumo pelo aprendizado da solidariedade durante a crise.

Motivação decisiva a se desenvolver neste momento crucial é de caráter transcendente, isto é: a que ultrapassa o próprio ego. A transcendência pode levar a considerar a existência de Deus, já que, empregando a tese de Dostoiévski em Os Irmãos Karamázov: se não existe Deus tudo é permitido. No caso da pandemia se verifica que a orientação aos valores transcendentes ultrapassa as respostas do homo economicus, e, de fato, resulta em bens duradouros para a sociedade, diferentemente dos critérios puramente materialistas.

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